quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Num banco de jardim

O dia estava a entrar na fase dourada, naquela hora onde o sol está mais calmo e se deleita sobre as folhas ao invés de as consumir de luz e calor. Peguei no mundo de papel e tinta que se esconde por detrás da tua capa clara e com letra ao estilo antigo. Pus-te debaixo do braço e peguei no casaco quente e pesado que estava na cadeira da entrada, mesmo quando passei a porta em direcção à rua.
Vi-te ao longe, companheiro das horas de fantasia, das horas intermináveis de mundo e vidas impossíveis, vi-te ao longe e o sentimento que se apoderou de mim foi o comunhão e amizade. Como conheces bem a curva do meu corpo e o calor da minha imaginação. Como conheces bem os meus sonhos acordados e os meus devaneios e loucuras saudáveis. Sabes quem sou, para ti não tenho segredos.
E mergulho nas letras e na tua história velho amigo. E sinto o sol a deixar o firmamento. Sinto apenas, porque olhos só tenho para ti, história de amor e morte, história da vida. Outra vida, que poderia ou não, ser minha.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Amigas

Mesmo que as coisas sejam difíceis e negras, ter amigas como vocês é ter casa, ao invés de um sítio onde se vive. É saber que haverá sempre ajuda para limpar uma lágrima que foge ou o chão sujo depois da festa. É ter a quem ligar a tarde e a más horas e é ter quem nos ouça com carinho quando tudo o que queremos é calar. A festividades trazem a melancolia, mas aquilo que vocês me fazem sentir dura todo o ano, todos os anos.
Existem poucas coisas mais maravilhosas do que ter alguém que sabe quando perguntar se está tudo bem. O teu sorriso nunca me engana, conheço-os a todos, mesmo aqueles que usas e não sentes. Gostava que vocês conseguissem imaginar o quanto é ridiculamente enorme aquilo que sinto por vocês. Como se metade de mim fosse vossa, como se a vossa felicidade e a vossa dor fossem minhas. Como se tudo aquilo que não dizemos verbalmente fosse dito com um olhar e um encostar de cabeça. Sei tudo o que me querem dizer e sei também que tudo isto é recíproco. Tem volta. É infinitamente circular, onde o início e o fim, não se encontram porque não existem.

Não vos peço perdão pelas coisas que calo, porque a minha alma é turbulenta. Não peço perdão porque vos amo e isso, sei bem, é suficiente.

Hoje, e ontem, e por todas as coisas. Pelo sol e pelo mar que partilhamos, pelas festas e pelas alegrias que construímos. E principalmente pela amizade que nos une, escrevo este texto só. Este texto que não chega, nem raspa a superfície de todas as profundidades que dividimos. Este texto, que me aqueceu o coração e me encheu de angustia, por acreditar que ele fica muito aquém do que são para mim.

Vocês são a família que eu escolhi.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

This is Christmas *

Chegou o final do ano. O último mês, as despedidas do ano velho e a antecipação do ano novo.
Hora de balanços, de fechar agendas, jogar tralha fora.
Este é o mês das ruas enfeitadas e dos mil anúncios de publicidade a brinquedos e milhentas coisas de que não precisamos mas sem as quais não podemos passar. Este é o mês da solidariedade e da entre-ajuda, este é o mês em que nos apercebemos que não estamos sós, não vivemos sozinhos.

Mas este é principalmente o mês da família, dos miminhos e da árvore de Natal. Este é o mês das camisolas de lã e dos gorros e luvas quentinhos. É o mês em que sonhamos com tudo o que iremos conseguir no próximo ano. É o mês dos planos e da percepção das mudanças que precisamos de arquitectar para seguir com a nossa vida. É o mês dos Se eu, ou dos Talvez. É o mês em que nos sentimos mais ligados ou mais sós.

Gosto de Dezembro. Gosto de estar num café a beber chocolate quente e com a rua cheia de luz e cheia de gentes. Gosto do cheiro do frio e do quente das botas altas. Gostos dos embrulhos. Gosto das músicas de Natal, mesmo aquelas gastas e ronfenhas de tantas vezes serem tocadas.

Gosto do amor que emana desta época do ano. Gosto do espírito de Natal porque gosto de pessoas e acredito que nesta altura transbordam aquilo que são, quentes e humanas. Nesta altura do ano são mais pelos outros e mais pelo mundo.