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quinta-feira, 31 de maio de 2018

Sinto que te conheço

Uma memória de 2014 ao acabar de ler um livro do José Luís Peixoto. O sentimento continua igual:
"E quando termino a página, sinto que te conheço. Sei que não faz sentido. O que eu acabei de ler, muitos acabaram de ler. Talvez agora, em estranha sintonia. Mas eu por te ler, sinto que te conheço. Entendo todas as palavras que escreves e consigo imaginar-te a escrevê-las. Entendo a inquietação que te assombra. E sei também que apenas ela te faz escrever para que eu possa sentir. Talvez não sejas tu que eu conheço, mas a inquietação. Essa que te faz escrever. Essa que me faz escrever, às vezes. Essa que me faz sentir, sempre. Seja como for, sinto que te conheço"

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Adopção plena por homossexuais chumbada

É estúpido, e não faz sentido. Mas tenho lido muitos comentários que ter duas mães/pais é melhor que não ter nenhum. Desculpem mas não acho que essa seja a abordagem correcta, porque a questão não é essa. A questão é ter pais! Pais que são um casal, que se respeitam e amam e que acima de todas as coisas amam o seu filho, mesmo que não tenham o mesmo sangue. Não é o menor de dois males, não é porque é melhor ter dois pais/mães do que estar institucionalizado. A questão é um casal ter direito de amar uma criança que alguém não quis, que ficou sozinha no mundo ou que alguém não cuidou/maltratou. A questão é a criança ter o direito de ser amada por quem a quer, inquestionavelmente, é a criança ter direito a ser criada com amor, a ter quem a escolha primeiro e acima de todas as coisas, é ter direito a um futuro e a um tecto, a uma casa, a uma família. Se o casal é heterossexual ou homossexual nem deveria ser questão. 
Daí achar esta decisão tão estúpida, tento todos os dias ser melhor para poder ter um país melhor, fico triste quando vejo que somos pequenos/tacanhos nas questões maiores. frown emoticon

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

escrever

Falo aqui muitas vezes de amor e da vida, de sonhos e obstáculos, de vontades e de inércia. Falo aqui muitas vezes para tolerar quem sou, para acrescentar ao dia a dia. Nem tudo o que sai em palavras nasceu assim. Sou a minha própria censura e faço-o para melhorar. Se um texto está bem, mas não é exactamente o que eu queria, reescrevo, digo o mesmo por outras palavras. É isso que fazemos nas relações humanas, não? Tentamos continuamente que o próximo entenda o que queremos dizer, exactamente como está na nossa cabeça. Mas para isso temos que usar palavras comuns, partilhadas, definidas, mas com a possibilidade de ser interpretadas de maneira diferentes consoante as vivências de quem escuta.

É esse o desafio. É essa a dificuldade. São estas interpretações pessoais de palavras comuns que provocam o início de algumas coisas e o fim de tantas. Se ao menos falássemos todos matemática. 2+2 será sempre igual a 4. Ao passo que duas palavras juntas podem ser o nascimento e a morte.

É isso também que me faz amar escrever. A sua ambiguidade. O ser profundo para mim e irrelevante para outro. O poder ser interpretado à minha maneira, o ser belo para mim porque vivi desta maneira e todos os meus momentos me levaram a isso. A ver a beleza entre as linhas. A imensidão do ser que colocamos em palavras.
É quase como apreciar a natureza. Aquela sensação de preenchimento e de pertença e ao mesmo tempo de deslumbramento e arrebatamento por pertencermos a algo tão belo e transcendente. Por sermos parte de algo que toca, que faz sentir.

É isso que este canto de escrita me trás. A sensação de pertencer ao vosso sentir.

sábado, 11 de outubro de 2014

A propósito de uma conversa com alguém que gosta de vir aqui ler :)

Sabem às vezes aquelas frases clichés que nós comandamos a nossa vida e etc.. não são bem assim, não é tão fácil. Mas o contrário também é verdade, nada é tão mau como nos parece à primeira. Ser positiva é-me natural, mas muitas das coisas que faço e em que acredito requerem esforço, faz parte. 
Ser quem queremos e quem desejamos ser dá trabalho. 
E não sei da vossa vida, nem tenho essa pretensão, mas todas as vidas são difíceis à sua maneira,umas mais do que outras. O que considero importante é viver a vida com sinceridade, a ser quem sou, mesmo que nem sempre isso seja fácil, mesmo com as batalhas e o facto de pensar demasiado complicar tudo. Por vezes temos que permitir a entrada do mundo em nós próprios para que consigamos pertencer a ele, na maioria das vezes o primeiro passo tem que ser o nosso. Escrevo porque me ajuda, e gostarem do que escrevo assusta porque é uma responsabilidade ter importância na vida de outras pessoas, mesmo que sejam só as minhas palavras. 
Mas não tenho medo de ter medo.

sábado, 20 de setembro de 2014

Pensamentos...

“I’m shocked at the lack of connection between people because of iPhones. There is so much less of actual physical connection. There’s less touching, there’s less talking, there’s less holding, there’s less looking. People get pleasure from looking at each other. From a smile, and touching. We need touching to make us feel wanted and loved. That’s lacking so much in this generation. Lack of looking, lack of touching, lack of smiling. I don’t get it. I don’t get how people aren’t missing that, and don’t seem to think they are.” Shirley Zussman

Reflexões...