A inspiração vem dos sítios mais estranhos. Um pássaro a voar, uma borboleta que poisa na tua mão e à qual sopras para que continue a sua viagem, um sorriso sincero e um olhar sedutor. Às vezes, lemos um texto, dum autor qualquer, e que espelha na perfeição a nossa história. É a simetria do que sentimos, ou desejamos sentir.
Um texto fez-me lembrar como a felicidade é o caminho e não o destino. O calor do sol sob os olhos fechados e o cheiro a mar. A companhia silenciosa e os sorrisos disfarçados, mas que vemos bem e sentimos ainda melhor. O carinho de um amigo, o abraço de um irmão. Os teus dedos no meu cabelo e o teu cheiro envolvente.
Uma gargalhada. Haverá maior felicidade que uma gargalhada pela razão mais tola? Haverá maior cumplicidade do que dividir um sorriso?
Por isso mesmo, a felicidade é o caminho. É a soma de todas as pequenas coisas que fazem sentido, e de algumas coisas pequenas sem sentido algum. A felicidade são os pedacinhos, as metades, os restos até, dessas coisas indescritíveis das quais é difícil falar. A felicidade não se explica, sente-se. E na maioria das vezes, só temos a percepção de sermos felizes uns tempos depois. A perspectiva de um sentir passado, em que na altura estávamos demasiado envolvidos para perceber. Desconfiamos, porque a paz que sentimos é reconfortante e turbulenta, é lago quieto e mar revolto.
As pequenas coisas fazem a diferença e as coisas pequenas, toda juntas e amealhadas fazem coisas enormes. A felicidade comporta-se assim, ninguém é feliz, e somos todos felizes. Porque não se pode ser um acontecimento nem um caminho sempre, vivemos acontecimentos e fazemos caminhos, e é essa aventura que nos torna felizes. Aquele momento e todos os outros em que recordamos os nossos pedacinhos passados. Assusta, mas todas as coisas verdadeiramente boas metem medo. Ultrapassá-lo é também um caminho para ser feliz!
segunda-feira, 22 de julho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
Lado Lunar
A parte mais sombria da minha alma é também a mais sedutora. A que não tem medo e nem pensa bem nas coisas que faz, se der vontade acontece. É a mais difícil de combater e requer uma dura diária. Acho que ter a capacidade de reconhecê-la já é uma vitória, lutar com ela todos os dias é uma guerra dos 100 anos, a qual não consigo vislumbrar um final.
Mas será que quero?
Gosto do meu lado lunar, o lado do, agora porque sim. O lado do desejo desenfreado e das decisões sem sentido e que podem resultar ou não. O meu lado racional não entende e apresenta uma luta resistente, que nem sempre vence.
Mas não é viver arriscar? Não é viver, sentir, mesmo que não seja uma alegria contagiante e antes uma agonia doce e lenta que consome e aumenta todas as vontades? Não é fácil expor tudo o que tentámos proteger, por tanto tempo sem resultados, mas pode ser que funcione.
Mudar de estratégia.
Deixar dominar o negro e visceral que me pertence tanto como luz e a serenidade.
Não é fácil perder o controlo, mas é tão bom, tão livre.
Mas será que quero?
Gosto do meu lado lunar, o lado do, agora porque sim. O lado do desejo desenfreado e das decisões sem sentido e que podem resultar ou não. O meu lado racional não entende e apresenta uma luta resistente, que nem sempre vence.
Mas não é viver arriscar? Não é viver, sentir, mesmo que não seja uma alegria contagiante e antes uma agonia doce e lenta que consome e aumenta todas as vontades? Não é fácil expor tudo o que tentámos proteger, por tanto tempo sem resultados, mas pode ser que funcione.
Mudar de estratégia.
Deixar dominar o negro e visceral que me pertence tanto como luz e a serenidade.
Não é fácil perder o controlo, mas é tão bom, tão livre.
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Chegar (ou voltar) a casa
Diz-se que o domingo não teria o mesmo sabor se não fosse desejado durante toda a semana, é como a 6ª-feira, queres tanto que cheguem e vão-se logo embora, num ápice. É como o Verão e o Sol. Desejamos tanto estas pequenas coisas que passamos a vida à espera que cheguem, à espera que dêem o ar da sua graça. Na maioria das vezes, não têm nada de especial, são mais um dia, igual aos outros. Mais uma estação, sem nada de esplendoroso ou de marcante. Mas por os desejarmos tanto tornam-se especiais, mesmo sendo ordinários e comuns.
É essa a magia das coisas que levam tempo. Mesmo que durem pouco, recorda-mo-las como mágicas e especiais, pela antecipação que as precedeu.
Bom fim de semana!
É essa a magia das coisas que levam tempo. Mesmo que durem pouco, recorda-mo-las como mágicas e especiais, pela antecipação que as precedeu.
Bom fim de semana!
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Capítulo 4
O som era ensurdecedor, tiros, gritos, dores e pânico. Pânico que se ouvia, sentia e saboreava. As manchas negras e vermelhas, o comandante mexia os lábios, mas Daniel não ouvia nada, só sentia o pânico a engoli-lo e o corpo quente como fogo. Daniel acorda repentinamente e a suar - Mais um sonho, foi só um sonho.. - Repetiu para si próprio.
O dia começava sempre cedo para Daniel, em parte porque era assim a vida de um pescador, e em parte porque nunca conseguia dormir. Os sonhos estavam melhores agora, mais curtos e menos frequentes. Mas o dia não esperava e o mar também não, por essa razão Daniel levantou-se e preparou-se para sair.
--
Daniel era o mais jovem da sua companhia. Eram como uma família. E quando partiram juntos, pensaram que iam salvar o mundo. O que nunca ninguém lhes disse foi que as missões de paz são um tédio. O tempo arrasta-se infinitamente dentro de cada minuto e o pó e o calor do deserto tornam o corpo mole e peganhento. Nunca se passava nada, até àquela tarde, aquele transporte, aquela ravina.
Daniel vivia com Marina desde que se alistara no exército. Eram um amor jovem, mas firme. Conheceram-se na escola secundária onde a Marina disse muitos nãos até Daniel ouvir o sim que sempre quis. Gostava dela desde os 10 anos, era como se não houvesse um amor maior. No dia que soube que ia para o deserto Daniel chegou a casa a disfarçar o entusiasmo e a adrenalina que já lhe corria nas veias com a antecipação da tão ansiada missão.
- Amor, fui destacado para uma missão. No deserto. Partimos daqui a 3 semanas.
Silêncio. Um peso invisível e poderoso alastrou-se pela cozinha e Marina afastou-se da bancada já com os olhos cheios de lágrimas.
- Quando tempo vais ficar por lá, Daniel? - Perguntou Marina, articulando as palavras entre soluços mudos.
- Em princípio serão 6 meses. Mais vai passar depressa amor, vais ver, num instante estou de volta. - assegurou Daniel, sem colocar certezas nas suas próprias palavras. - Pensa que com o dinheiro extra que vou ganhar poderemos começar a pensar em bebés.
- Bebés? Estás a falar a sério? Mas nunca tínhamos falado nisso, a sério, quero eu dizer, não estou a perceber Dani. - Um esboço de sorriso nasceu nos lábios de Marina e Daniel soube que o seu desvio da conversa da guerra e do deserto tinha funcionado. Não se sentia orgulhoso por recorrer a tais artimanhas, mas a dor de Marina pesava tanto dentro dele próprio que se tornava mais difícil de suportar do que a sua própria dor.
Agora quando recordava Marina já não doía tanto. Deixá-la acabou por ser a melhor decisão que poderia ter tomado. Apesar da dor. Apesar da mágoa. Quando voltou do deserto Daniel não era o mesmo, o amor não era o mesmo, a pele não era a mesma, a dor era maior. Não conseguia suportar o cheiro de Marina, tão doce e intenso, e a sua pele, apesar de a desejar loucamente, queimava e fazia doer ao tocar na sua. Daniel estava diferente, o mundo estava diferente. O maior amor tornou-se na maior dor pela culpa e pelo medo. Pelas lembranças. Daniel não merecia ser feliz e Marina merecia o melhor. Desejava-a mais do que qualquer outra coisa, mas a intensidade de tê-la estava a destruí-lo. Foi a melhor decisão possível, para ela. Era a mentira que contava a si próprio todos os dias, sem estar verdadeiramente a mentir.
--
Marina era o seu último pensamento antes de dormir e o primeiro ao acordar. Naquele dia em especial, ainda não tinha pensado nela, só na vontade de ver o mar. Só pensou nela quando viu a silhueta de uma mulher ao longe na sua praia, antes do dia nascer.
Daniel vivia com Marina desde que se alistara no exército. Eram um amor jovem, mas firme. Conheceram-se na escola secundária onde a Marina disse muitos nãos até Daniel ouvir o sim que sempre quis. Gostava dela desde os 10 anos, era como se não houvesse um amor maior. No dia que soube que ia para o deserto Daniel chegou a casa a disfarçar o entusiasmo e a adrenalina que já lhe corria nas veias com a antecipação da tão ansiada missão.
- Amor, fui destacado para uma missão. No deserto. Partimos daqui a 3 semanas.
Silêncio. Um peso invisível e poderoso alastrou-se pela cozinha e Marina afastou-se da bancada já com os olhos cheios de lágrimas.
- Quando tempo vais ficar por lá, Daniel? - Perguntou Marina, articulando as palavras entre soluços mudos.
- Em princípio serão 6 meses. Mais vai passar depressa amor, vais ver, num instante estou de volta. - assegurou Daniel, sem colocar certezas nas suas próprias palavras. - Pensa que com o dinheiro extra que vou ganhar poderemos começar a pensar em bebés.
- Bebés? Estás a falar a sério? Mas nunca tínhamos falado nisso, a sério, quero eu dizer, não estou a perceber Dani. - Um esboço de sorriso nasceu nos lábios de Marina e Daniel soube que o seu desvio da conversa da guerra e do deserto tinha funcionado. Não se sentia orgulhoso por recorrer a tais artimanhas, mas a dor de Marina pesava tanto dentro dele próprio que se tornava mais difícil de suportar do que a sua própria dor.
Agora quando recordava Marina já não doía tanto. Deixá-la acabou por ser a melhor decisão que poderia ter tomado. Apesar da dor. Apesar da mágoa. Quando voltou do deserto Daniel não era o mesmo, o amor não era o mesmo, a pele não era a mesma, a dor era maior. Não conseguia suportar o cheiro de Marina, tão doce e intenso, e a sua pele, apesar de a desejar loucamente, queimava e fazia doer ao tocar na sua. Daniel estava diferente, o mundo estava diferente. O maior amor tornou-se na maior dor pela culpa e pelo medo. Pelas lembranças. Daniel não merecia ser feliz e Marina merecia o melhor. Desejava-a mais do que qualquer outra coisa, mas a intensidade de tê-la estava a destruí-lo. Foi a melhor decisão possível, para ela. Era a mentira que contava a si próprio todos os dias, sem estar verdadeiramente a mentir.
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Marina era o seu último pensamento antes de dormir e o primeiro ao acordar. Naquele dia em especial, ainda não tinha pensado nela, só na vontade de ver o mar. Só pensou nela quando viu a silhueta de uma mulher ao longe na sua praia, antes do dia nascer.
quarta-feira, 15 de maio de 2013
I'm spoiled, by your love...
Sempre gostei do dia do meu aniversário. Desde miúda, quando fazíamos festas com balões, sandes de fiambre e gelatinas. Gosto de ter um dia meu. Lembro-me da minha mãe me ir levar a prenda à cama, na manhã do meu aniversário e lembro-me dos beijinhos e dos abraços. Depois crescemos e na escola num tempo em que o contacto e o toque se descobrem, recordo como eram bons os beijinhos e os abraços dos amigos. Fizeram-me uma festa surpresa quando fiz 18 anos. Apareci numa camisa de dormir, que já era velhinha nessa altura e que ainda hoje durmo com ela, e apareceram as vossas caras e os vossos "surpresa". Fiquei emocionada e envergonhada, porque uma camisa de dormir dos meus 13 anos já deixa algumas coisas destapadas aos 18, nem vamos falar aos 28. Mas fiquei, principalmente, feliz. Todos os esquemas e todos os planos para eu não desconfiar, e não desconfiei, e a vossa alegria de me terem conseguido surpreender mesmo.
Gosto de fazer anos.
Gosto mesmo. Não me sinto mais velha. Sinto-me mais amada. Sinto-me querida.
Numa época em que muitas relações e sentimentos se tornam efémeros e muitas vezes descartáveis. No dia do meu aniversário o vosso sentimento é tangível, chega a mim. Parece que o véu que pousa no sentir das pessoas se levanta, e dizer gosto de ti, é permitido. Dizer, és linda nunca mudes, é permitido. Muitos beijinhos e tenho saudades, não calha mal e sabe tão bem.
Eu sinto muitas coisas e de maneira muito variada, tanto em forma como em quantidade. Acredito que escrevo porque as palavras espelham e confortam as mil coisas que sinto. Não sei se o faço bem, provavelmente poderia fazê-lo melhor, mas serve o propósito para o qual o faço. Sentir. Às vezes sinto tanto que não consigo exprimi-lo nas conversas, às vezes consigo exprimi-lo nas acções, mas fico sempre a achar que ficou aquém do que deveria ter sido. Escrever ajuda. Vocês gostarem do que escrevo é maior do que qualquer texto ou quaisquer palavras.
No dia que fazemos anos é permitido sentir e mostrar aos outros aquilo que sinto todos os dias. Aquilo que controlo com uma personalidade mais ou menos forte, com um temperamento mais ou menos explosivo e com uma timidez, muitas vezes desarmante para mim e injusta para vocês. No meu aniversário não existe qualquer embaraço em amar e ser amada de volta, existem só congratulações. E muitos gosto de ti e és querida. No fundo preciso acreditar que sou todas as coisas que vocês pensam de mim, e me dizem no dia do meu aniversário, e por isso gosto tanto de fazer anos. Não sou insegura, ou melhor, não o sou mais do que qualquer outra pessoa que se conhece e sabe quem é, mas saber que a minha visão de mim é partilhada por vocês, faz envelhecer valer a pena.
Por estes motivos todos, gosto muito de fazer anos!
A vossa mana, sis, laranjinha, cricket, amiga, doida e querida gosta de vocês ainda mais do que gosta de fazer anos!
<3
Gosto de fazer anos.
Gosto mesmo. Não me sinto mais velha. Sinto-me mais amada. Sinto-me querida.
Numa época em que muitas relações e sentimentos se tornam efémeros e muitas vezes descartáveis. No dia do meu aniversário o vosso sentimento é tangível, chega a mim. Parece que o véu que pousa no sentir das pessoas se levanta, e dizer gosto de ti, é permitido. Dizer, és linda nunca mudes, é permitido. Muitos beijinhos e tenho saudades, não calha mal e sabe tão bem.
Eu sinto muitas coisas e de maneira muito variada, tanto em forma como em quantidade. Acredito que escrevo porque as palavras espelham e confortam as mil coisas que sinto. Não sei se o faço bem, provavelmente poderia fazê-lo melhor, mas serve o propósito para o qual o faço. Sentir. Às vezes sinto tanto que não consigo exprimi-lo nas conversas, às vezes consigo exprimi-lo nas acções, mas fico sempre a achar que ficou aquém do que deveria ter sido. Escrever ajuda. Vocês gostarem do que escrevo é maior do que qualquer texto ou quaisquer palavras.
No dia que fazemos anos é permitido sentir e mostrar aos outros aquilo que sinto todos os dias. Aquilo que controlo com uma personalidade mais ou menos forte, com um temperamento mais ou menos explosivo e com uma timidez, muitas vezes desarmante para mim e injusta para vocês. No meu aniversário não existe qualquer embaraço em amar e ser amada de volta, existem só congratulações. E muitos gosto de ti e és querida. No fundo preciso acreditar que sou todas as coisas que vocês pensam de mim, e me dizem no dia do meu aniversário, e por isso gosto tanto de fazer anos. Não sou insegura, ou melhor, não o sou mais do que qualquer outra pessoa que se conhece e sabe quem é, mas saber que a minha visão de mim é partilhada por vocês, faz envelhecer valer a pena.
Por estes motivos todos, gosto muito de fazer anos!
A vossa mana, sis, laranjinha, cricket, amiga, doida e querida gosta de vocês ainda mais do que gosta de fazer anos!
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