sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ao descer a rua...

O sol estava quente e e brilhava um tom laranja avermelhado no final do dia. Estava uma brisa agradável e havia uma peso de final do dia no ar.
Ainda nem te tinha visto quando te senti. Senti o aroma da tua pele e o calor que emanava de ti quando me virei em resposta à tua presença. Sorriste e eu sorri de volta. Senti, logo de seguida, um arrepio seguido por uma onda de calor desde o pescoço até às pernas. Porquê, pensei eu, porque é que me provocas este descontrolo total e praticamente impossível de evitar.
Gostava apenas que tivesses a força de lutar, porque eu não tenho. Tenho demasiado medo, de te perder depois de te ter. Soa a ridículo, eu sei. Parece estúpido impedir-me de viver algo mágico pelo receio de perder a magia depois. É mais forte do que eu.
Por isso peço-te que sejas mais forte do que eu, peço-te que lutes com a força dos dois e que faças valer a pena. Que proves que eu estou enganada ao desconfiar do energia que emana de ti. Permite-me beber da tua loucura enquanto partilho a minha, que está enterrada em timidez.
Desafia-me, porque preciso de ti e preciso de acreditar que o amor de uma vida, existe e está à minha espera.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

pelos nossos direitos...

Amanhã vamos caminhar juntos. Encontra-mo-nos na hora marcada, mas  naturalmente esperamos alguns atrasos. Há quem venha de longe. Existem também outros que se vão aglomerar noutros locais.
Chegou a hora em que todos se unem. A hora em que todos esquecem aquilo que os separa e se lembram da causa comum. O desrespeito pelo trabalho, pela pessoa, pela sociedade e pelo país.
Ao contrário do que o ego edemaciado de alguns governantes os leva a crer, esta terra lusa é nossa e não deles. As montanhas do centro e as planícies do sul, são nossas. As videiras das encostas do douro e as praias do litoral, são nossas, nada lhes pertence. Foi-lhes concedida a honra de assumir a vontade do povo através da liderança do país, e o que fazem eles? Destroem. Corrompem. Alteram. Violam. Distorcem.
Quem são vocês para alienar a vontade dos descendentes de Afonso? Dos lutadores, que sem espadas pesadas como homens, têm a sua força no amor ao próximo e à terra. Dos que cavam com enxadas e que escrevem sem parar, dos que conduzem e dos que esfregam o chão, dos que pensam e dos que fazem, dos que salvam e dos que fazem o que podem.

Quem sóis vós, pergunta a criança que não entende porque o prato da mãe não tem comida.
O que fazem, pergunta o reformado a sofrer por não poder pagar a medicação.
Para onde nos levam, pergunta o ajudante de supermercado com a matrícula da faculdade congelada.

São estas as perguntas que fazemos. São estas as respostas que exigimos. É isto que pretendemos saber.

Honrem o vosso compromisso. Se não o fizerem, caiem, como os que vos precederam. Porque governos há muitos meus senhores, e interesses também, mas os descendentes de Afonso irão para sempre povoar esta terra. Ao contrário do que pensam, ela é nossa e por ela lutaremos até os nossos ossos virarem pó.






Amanhã desceremos a avenida como um só. Um povo, uma nação!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

7%

Não sei onde vamos parar, Portugal.
Não vejo o fim desta longa estrada.
Nem a luz que vem com a alvorada.

Queremos mais, merecemos melhor.
Somos um povo e um país vencedor,
Desde os tempos de Afonso, o primeiro
Até ao tempo de "Pelo povo, não pelo dinheiro!"

Luta sem armas, mas usa a tua voz!
Fala contra os que nos tornam inválidos,
Sós.

Vence as batalhas com vontade e perseverança.
Não há espada, peste ou fé que nos vença!
Fizemo-nos ao mundo! Marcamos presença
Neste canto a sudeste de tudo,
Onde a luz e a paz, não serão sinónimos de pacificidade e inércia!
Mas de honra e valor! De luta e conquista.

Portugal,
Tivemos reis e princesas,
Adamastores e guerras,
Papas e inquisição,
Ditadura, fome e seca.

Não sucumbimos, nós não, o povo não!
Sobreviveremos sempre, porque juntos somos tudo! Juntos somos Portugal!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Na terra de Klimt

O voo de ida nem correu mal. À parte da ausência de jantar por ausência de hospedeira...Limite de segurança.
Gostei dos edifícios, a fazer lembrar os anos 40.
A majestosa Viena, com o céu cinzento e o ar que nos invade de uma sensação intensa de sabedoria, de pertença. A cultura a transbordar por todos os poros, por todas as ruelas e por todas as portas e janelas.
Gostei da diversidade das pessoas, fazendo parte do mundo, vivem no delas. Levam a sua vida e têm sempre alguma coisa por fazer, que tem que ser feita já.
A ciência de manhã e a cultura à tarde. Um sorriso todo o dia.
Gosto de saber. Gosto de compreender. Gosto de aprender. Aceito todos os adjectivos que me atribuírem, por ser assim. Os bons e os depreciativos, aceito todos, sinto que possuo todos. Sou todos. Aceito as minhas limitações, por isso aquilo que tenho a absorver é infinito. É tudo.

Uma cidade de Reis, no tempo dos nómadas.

E na volta, vim um bocadinho maior, um bocadinho mais eu. Vim um bocadinho mais completa, mas também mais sedenta de continuar.
Quero mais.
É essa inquietude que me faz viajar.
É ela que me comanda. É ela que me preenche, que me faz sentir permanentemente irrequieta, por completar. Por isso continuo em movimento. Porque tal como o universo, também o ser humano é infinito e eternamente em expansão.

O beijo. Klimt. Mozart. Catedral. Ciência. Pneumologia. Schönbrunn Palace. Saúde. Cultura. Música. Sensações. Movimento.

More, bitte!

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

eu ainda sonho esse sonho

Foi só quando te vi que entendi a verdadeira extensão da tua falta. Tinha tantas saudades tuas! E o melhor da nossa amizade, é que cada vez que te vejo, mesmo que seja só duas vezes por ano, é como se nunca tivesses ido.
É como se estivesses sempre aqui.
A nossa amizade continua tão completa como no dia que nos conhecemos na fila para a secretaria.
Empatia imediata.

E ao ver-te, lembrei-me do sonho. Falamos do sonho. Ainda fervilha cá dentro.

Não o quero perder, mas existem tantas coisas agora. Tantas coisas que são empecilhos no caminho. Pedras no sapato. Mas o que são pedras mais do que conformismos e desculpas. Serão as pedras objecções criadas por nós? Será mesmo assim? Será que não são verdadeiras? Será que os sonhos estão acima das responsabilidades e do cumprimento das promessas, mesmo daquelas que não prometemos e que nos vemos a cumprir?
Os nossos sonhos não devem destruir a realidade dos outros. Mas o que são sonhos, se não destruidores de realidade, e na mesma teoria cataclísmica, os criadores de novas realidades. Os sonhos de hoje serão a realidade de amanhã?

Eu acredito nas pedras e nos sonhos. Não vou desistir do sonho. Vou carregar as minhas pedras, com doçura, guardando sempre a lembrança que elas um dia foram um sonho, fofo como algodão doce. E não me vou permitir esquecer que a realidade torna o algodão doce pesado e áspero, como as pedras nas encostas de um riacho.

Farei como o poeta, guardarei as pedras, todas. No fim, erguerei o meu castelo de sonhos.